Tuesday, May 31, 2011

Avaliação no trabalho

Em conversa com amigos portugueses apercebi-me que todos eles, nos seus empregos, são apenas avaliados pelos seus chefes e os seus chefes pelos chefes deles. Ora isto é um sistema muito unidireccional que permite aos chefes fazerem um mau trabalho perante os seus subordinados e, por outro lado, os subordinados terem que "dar graxa" para conseguir uma avaliação decente. No fim, alimenta aquilo a que eu chamo a cultura do "chefe glorificado" em que as chefias mandam e os subordinados obedecem. Um modelo bastante desadequado desde que saímos da Era Industrial e em que, muitas vezes, os subordinados estão tecnicamente mais habilitados que os seus chefes!

Como funciona a avaliação na minha empresa aqui em Londres. Digo Londres, mas neste caso podia ser qualquer lugar no mundo já que é uma multinacional e todos os empregados usam o mesmo sistema. Temos um sistema informático onde anualmente os empregados introduzem os seus objectivos anuais, acordados com o seu chefe, que devem ser mesuráveis e atingíveis. Duas vezes por anos são avaliados contra esses objectivos, a primeira vez é informal e serve de ensaio à 2ª avaliação que é formal e final. Quem avalia quem?
  • Todos os chefes avaliam todos os seus subordinados directos (sem surpresa);
  • Todos os empregados avaliam os seus chefes directos;
  • Tipicamente, todos os empregados avaliam os seus colegas de equipa e de outras equipas com quem interagem regularmente;
  • Qualquer empregado pode pedir feedback a outro empregado com quem trabalhou;
  • É ainda possível ao empregado pedir feedback via email a freelancers, a vendedores externos e clientes com quem trabalha.
As pessoas que estão a ser avaliadas não sabem o que os seus avaliadores dizem de si, o resumo/resultado é apenas comunicado no final. Em cada ano, formam-se comités de avaliação responsáveis por avaliar os empregados por escalão de carreira. Dentro de cada escalão, as pessoas são divididas entre aquelas que excederam as expectativas, as cumpriram e as que não cumpriram as expectativas. Os melhores recebem maiores bónus e promoções. Empregados que repetidamente não cumprem as expectativas são "convidadas" a sair.

É um sistema perfeito? Não. Há sempre empregados que interagem com poucas pessoas e por isso têm pouco feedback disponível mesmo estando a fazer um bom trabalho. Mas garante que uma pessoa seja avaliada por todas as pessoas com quem trabalha e obriga a que qualquer chefe trate bem os seus subordinados para ter qualquer tipo de reconhecimento.

Isto não me parece nada complicado de implementar em qualquer corporação relativamente grande ou serviço público, mas tenho a certeza que iria abalar alguns "poderes instituídos". Apenas sistemas de avaliação em que todos avaliam todos podem ser realmente justos (ou aproximarem-se disso).

Saturday, May 28, 2011

Cashback

O cashback é um serviço muito útil existente aqui no Reino Unido que permite "levantar" dinheiro dos operadores de caixa de supermercado nos pagamentos com cartão de débito. Ao fazer a compra o cliente indica que quer cashback, diz o valor que é acrescentado ao recibo, paga e recebe o dinheiro, poupando uma ida ao multibanco. Para os comerciantes tem a vantagem de diminuir as quantidades de dinheiro que têm de transportar e depositar nos bancos. Todos ficam a ganhar :D

A incompetência dos nossos serviços públicos

Se há uma coisa que me tira do sério é a incompetência dos nossos serviços públicos. Não sei se é falta de formação, se é por não terem autoridade ou uma mistura de ambos, mas há uma atitude instituída de "chutar para canto" em vez de resolver os problemas.

Há uma semana contactei o Consulado de Londres sobre a possibilidade de lá votar como "cidadão deslocado", visto já ser demasiado tarde para me recensear. O período de recenseamento terminou 60 dias antes das eleições, quase quando o 1º Ministro de demitiu. Em vez de me responderem às questões que lhes coloquei deram-me os folhetos para eu os interpretar e depois reencaminharam-me para a Administração Eleitoral, quando eles necessitam desta informação para receber o meu voto (caso lá apareça). A única coisa que tenho a dizer em seu benefício é que responderam em 1 dia útil o que já não é nada mau! Em baixo fica a transcrição da comunicação:

Enviada: quarta-feira, 25 de Maio de 2011 9:43
Para: mail@cglon.dgaccp.pt
Assunto: Voto nas Legislativas 2011

Bom dia,

Mudei-me recentemente para Londres e ainda não me encontro inscrito no consulado, mas pelo que percebi do Portal do Eleitor (http://www.portaldoeleitor.pt/Legislativas2011/Paginas/VotoAntecipadoLegislativas2011.aspx), posso votar como eleitor deslocado no estrangeiro, certo?

Gostaria assim de marcar uma hora para ir aí votar. Tenho preferência pelas 8:30, alguma possibilidade nesta semana ou na próxima?

Obrigado,


From: Consulado Geral de Portugal em Londres [mailto:mail@cglon.dgaccp.pt]
Sent: 25 May 2011 13:26
Subject: RE: Voto nas Legislativas 2011

Exmo(a). Senhor(a),

O Consulado Geral de Portugal em Londres acusa a recepção do seu e-mail e vem por este meio informar V. Exa. de que o período do recenseamento eleitoral terminou no passado dia 5 de Abril de 2011, ou seja, 60 dias antes da data das eleições.

Para verificar se porventura já se encontra recenseada nos cadernos eleitorais deste Consulado Geral por favor consulte http://www.recenseamento.mai.gov.pt

Com referência ao voto antecipado no estrangeiro poderá consultar os anexos que junto se envia sobre o assunto para verificar se se insere nessas condições.

3, Portland Place

LONDON

United Kingdom

W1B 1HR

Com os melhores cumprimentos,

O Consulado Geral de Portugal em Londres

LS



Enviada: quarta-feira, 25 de Maio de 2011 13:38
Para: Consulado Geral de Portugal em Londres
Assunto: RE: Voto nas Legislativas 2011

Boa tarde,

Nesse caso gostava de que me confirmasse se o meu contrato de trabalho aqui de Londres é um documento que comprova "suficientemente a existência do impedimento".

Acerca do cartão de leitor, pensava que este tinha substituído pelo Cartão de Cidadão, preciso de ambos ou basta o último?

Quando posso dirigir-me ao Consulado para votar? Seria possível fazê-lo amanhã às 8:30?

Muito obrigado,

From: Consulado Geral de Portugal em Londres [mailto:mail@cglon.dgaccp.pt]
Sent: 26 May 2011 12:06
Subject: RE: Voto nas Legislativas 2011

Exmo(a). Senhor(a),

Com referência ao seu e-mail o Consulado Geral vem por este meio informar V. Exa. de informações adicionais sobre o voto antecipado poderão ser requeridas através do seguinte endereço de e-mail adm.eleitoral@dgai.mai.gov.pt



Enviada: quinta-feira, 26 de Maio de 2011 13:27
Para: Consulado Geral de Portugal em Londres
Assunto: RE: Voto nas Legislativas 2011

Desculpem, mas estou confuso. Para votar terei que me dirigir às vossas instalações, pelo que vocês terão que saber se os documentos que possuo são os necessários, correcto? Mesmo que a Administração Eleitoral me esclareça as minhas dúvidas, vocês próprios também necessitam dessa informação para me darem o boletim de voto. Estou errado? Logo, não é do vosso interesse esclarecer essa informação?!

Fico com a impressão que votar não é um direito, mas sim uma luta. Vocês não estão a prestar um bom serviço a este cidadão residente em Londres.

Cumprimentos,

From: Consulado Geral de Portugal em Londres [mailto:mail@cglon.dgaccp.pt]
Sent: 27 May 2011 14:50
Subject: RE: Voto nas Legislativas 2011

Exmo(a). Senhor(a),

O Consulado Geral de Portugal em Londres acusa a recepção do seu e-mail e vem por este meio informar V. Exa. de que dado o grande volume de e-mails recebidos diariamente por estes serviços (cerca de 500 e-mails diários), os mesmos só são verificados no dia seguinte. Novamente se envia em anexo a informação relativa ao voto antecipado para conhecimento.

Com os melhores cumprimentos,

A forma cobarde como esta troca de email terminou roça a má educação. Foram capaz de responder duas vezes rapidamente, mas quando expressei o meu descontentamento, subitamente, tinham um grande número de emails para responder.

Não percebo quem é susposto prestar um serviço a quem...

Sunday, May 08, 2011

Quando os amigos se tornam família

Uma das coisas que me apercebi ao viver no estrangeiro, e conhecer outras pessoas na mesma situação, é que os nossos amigos se tornam a nossa família. Quando precisamos de alguma coisa, pequena ou grande, são eles que nos desenrascam. E essa ajuda vem muitas vezes sem sequer ser requisitada.

Wednesday, April 27, 2011

A crise portuguesa não foi causada pela crise internacional

Ao contrário da mensagem que o actual governo teima em passar, a crise Portuguesa não se deve à crise internacional de 2008, mas é sim uma crise estrutural. Exibo aqui um gráfico tirado de Desmitos:


Em 2005 já a nossa dívida pública ultrapassava os 60% do PIB, limite acordado para a Euro-zona. Em 2008 estávamos à beira do abismo, perto dos 70%, e a crise internacional deu-nos o empurrão que faltava.

O quê que o actual governo fez entre 2005 e 2008? Gaba-se de ter reduzido o défice, mas na verdade fez uma série de manigâncias como as PPP que apenas esconderam os gastos reais e agora fizeram disparar a dívida pública para valores record (mais detalhes aqui).

E todo este endividamento que contraímos valeu a pena? Basta olharmos para o nosso crescimento entre 2000 e 2008 para concluirmos que não. Nesse período ficávamos a dever mais 10% e apenas crescemos 1%:



Outro artigo um pouco elaborado sobre isto:
Ainda o mito da crise internacional

Precisamos de mudanças muito sérias para tornarmos o nosso país sustentável. O nosso actual modelo de governação já provou não resultar.

Larguem os "mercados"!

Com a crise a imprensa falou-se imenso nos "mercados", "mercados" para aqui, "mercados" para ali como se fosse algum tipo de monstro com vida própria e vontade de nos fazer mal. Ou como se fosse uma conspiração. Os ditos mercados são apenas lugares (físicos ou electrónicos) onde investidores e entidades financeiras negoceiam instrumentos financeiros sem maquinar esquemas diabólicos para derrubar países.

Pensemos numa praça, se o dia corre mal e se pesca pouco peixe o preço tende a subir. Depois de lá irmos e apenas comprar uma sardinha (que terá de alimentar 3 nesse dia) ninguém fala de conspirações da praça.

Mas vamos mais longe, imaginemos que nós (Portugal) vendemos peixe (dívida) nessa praça e que o nosso peixe não é muito fresco. É natural (os investidores) não nos darem muito dinheiro (bons juros) por ele... Culpar os "mercados" é apenas um desculpa de mau pagador.

Saturday, January 08, 2011

Eu não quero ir à máquina zero

Até hoje só tinha cortado o cabelo à máquina zero uma vez e, como não gostei, nunca mais o fiz. Desta vez não tive muitas hipóteses...

Primeiro cortei o cabelo com pente #1 como é habitual. Como corto o meu próprio cabelo, antes de dar a tarefa como concluída, limpo a máquina e dou uma última passagem por toda a cabeça para garantir que não ficou nenhuma parte por cortar. Assim o fiz, tirei o pente, sacudi todos os cabelos e pimba! Fiz uma passagem à máquina zero com orientação diagonal da frente da cabeça até atrás. Havia me esquecido de pôr o pente para esta última fase... Resultado: parecia ter uma pista de aterragem no topo da minha cabeça:S Depois seguiu-se um solilóquio:

- "Isto se calhar não se nota..."
- "Não, está mesmo mau"
- "Será que posso só rapar o topo da cabeça?"
- "Pareceria um frade ou um idiota"
- "Que se lixe, rapa-se tudo"

E assim fiquei com a cabeça rapada à máquina zero. Para ser honesto, até nem acho que esteja assim tão mau.